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VLSFO, HSFO ou MGO: como escolher o combustível marítimo certo

FundamentosPublicado em 27 de outubro de 20266 min de leitura

Como escolher entre VLSFO, HSFO e MGO: limites de enxofre, ECA, scrubbers, compatibilidade e estabilidade, e os custos reais de cada opção.

A escolha entre VLSFO, HSFO e MGO é determinada primeiro pelas regras sobre o enxofre e pelo equipamento do navio, e depois pelo padrão de operação e pelo custo. Este guia apresenta as regras, os riscos práticos de cada combustível e as perguntas a fazer antes de encomendar.

As regras que enquadram a escolha

Desde 1 de janeiro de 2020, o Anexo VI da MARPOL limita o teor de enxofre do fuelóleo utilizado fora das zonas de controlo de emissões a 0,50% m/m, contra os anteriores 3,50%. Desde 1 de março de 2020 aplica-se também uma proibição de transporte: um navio sem sistema aprovado de limpeza de gases de escape não pode transportar, para consumo próprio, combustível com mais de 0,50% de enxofre.

Dentro das zonas designadas de controlo das emissões de enxofre, o limite é de 0,10% m/m desde 1 de janeiro de 2015. O limite de 0,10% aplica-se na ECA do Mediterrâneo desde 1 de maio de 2025; aplicar-se-á nas ECA do Ártico canadiano e do Mar da Noruega a partir de 1 de março de 2027 e na ECA do Atlântico Nordeste a partir de 1 de setembro de 2028.

Um navio equipado com um sistema de limpeza de gases de escape, ou scrubber, aprovado como equivalente nos termos da regra 4 do Anexo pode utilizar combustível acima destes limites, desde que o sistema cumpra o desempenho de emissões exigido.

As três principais opções

  • HSFO: combustível residual com mais de 0,50% de enxofre. Só pode ser utilizado por navios com scrubber aprovado. Na ISO 8217:2024, estes combustíveis têm a sua própria tabela de especificação.
  • VLSFO: combustível residual ou de mistura com 0,50% de enxofre ou menos. É a escolha por defeito da maioria dos navios sem scrubber fora das ECA. A composição varia muito, porque é obtido pela mistura de diferentes componentes.
  • MGO e MDO: combustíveis destilados. O MGO de baixo teor de enxofre, com 0,10% ou menos, é a escolha habitual para operar em ECA em navios sem scrubber.

Os combustíveis residuais com 0,10% de enxofre ou menos, muitas vezes designados ULSFO, estão abrangidos pela ISO 8217 e disponíveis em alguns portos. Podem ser uma alternativa ao MGO nas ECA quando o motor e o sistema de combustível são adequados, mas a disponibilidade é limitada.

Adequar o combustível ao padrão de operação

Comece pela rota, não pelo preço. Determine quantas horas o navio passa dentro de ECA, quanto tempo permanece atracado em portos da UE e onde pode, de forma realista, abastecer.

  • Um navio que opera sobretudo fora das ECA, sem scrubber, queimará VLSFO a maior parte do tempo e levará MGO suficiente para as passagens em ECA e as estadias em portos da UE.
  • Um navio que opera sobretudo dentro de ECA, como um navio de short sea shipping no norte da Europa, pode funcionar quase inteiramente com MGO ou combustível a 0,10%.
  • Um navio com scrubber pode queimar HSFO na maioria das zonas, mas continua a precisar de combustível conforme para os períodos em que o scrubber não está disponível e para os locais onde as regras locais restringem a descarga de água de lavagem.
  • A disposição dos tanques é importante: cada combustível exige capacidade separada de armazenamento, decantação e serviço, o que limita o número de tipos que um navio pode transportar.

Scrubbers: o diferencial de preço não é tudo

A rentabilidade de um scrubber assenta na diferença de preço entre o HSFO e o combustível conforme, que varia com o mercado. Na comparação, inclua o consumo de energia e a manutenção do sistema, o tempo que o navio opera em zonas onde a descarga em circuito aberto é restringida e a necessidade de passar para combustível conforme se o sistema falhar.

Segundo as orientações da IMO (MEPC.1/Circ.883), se um scrubber não puder ser reposto em funcionamento conforme no prazo de uma hora após uma avaria, o navio deve mudar para combustível conforme. Isso implica levar VLSFO ou MGO suficiente como reserva, o que é um custo real mesmo quando raramente é queimado.

Compatibilidade e estabilidade

Como o VLSFO é um combustível de mistura, duas entregas nominalmente do mesmo tipo podem comportar-se de forma muito diferente. Misturar um combustível mais parafínico com outro mais aromático pode provocar a precipitação de asfaltenos sob a forma de lamas, que colmatam os filtros e sobrecarregam os purificadores.

  • Sempre que possível, carregue o combustível novo em tanques vazios e evite misturar entregas de fornecedores diferentes.
  • Se a mistura for inevitável, peça ao laboratório um teste de compatibilidade com amostras de ambos os combustíveis antes de os misturar.
  • Verifique os resultados de estabilidade no relatório de análise. Para os combustíveis residuais com 0,50% de enxofre ou menos, a ISO 8217:2024 acrescenta a indicação do sedimento total existente e acelerado, mantendo o sedimento total potencial como limite da especificação.
  • Armazene e aqueça o combustível conforme recomendado pelo laboratório e pelo fabricante do motor, e evite deixar pequenas quantidades nos tanques durante longos períodos.

Operar com destilados

O MGO é limpo e estável, mas a sua baixa viscosidade traz riscos próprios. Os fabricantes de motores fixam uma viscosidade mínima à entrada do motor, e as bombas de combustível e o equipamento de injeção podem desgastar-se ou perder eficiência se o combustível for demasiado fluido ou estiver demasiado quente. Os navios que funcionam com MGO durante longos períodos podem precisar de arrefecedores ou chillers de combustível, e a tripulação deve seguir as orientações do fabricante do motor sobre as taxas de variação de temperatura durante a mudança de combustível.

A mudança de combustível propriamente dita deve seguir o procedimento escrito do navio previsto no Anexo VI da MARPOL, com o navio a funcionar integralmente com combustível conforme antes de entrar numa ECA, e com registo dos volumes, horas e posições.

O equilíbrio de custos para além do preço por tonelada

  • Conteúdo energético: os destilados e os combustíveis residuais fornecem quantidades diferentes de energia por tonelada, pelo que deve comparar o custo por unidade de energia e não apenas por tonelada.
  • Óleo de cilindro: o teor de enxofre do combustível determina a escolha do base number (BN) do óleo de cilindro. Os navios que alternam entre combustíveis precisam de ter a bordo os óleos adequados.
  • Manuseamento: os combustíveis residuais exigem aquecimento, decantação e purificação; um VLSFO de má qualidade pode aumentar os custos de eliminação de lamas e de manutenção.
  • Custos de emissões: as regras de monitorização da UE fixam fatores de CO2 por defeito de 3,114 toneladas por tonelada para o fuelóleo pesado (RME a RMK), 3,151 para o fuelóleo leve (RMA a RMD) e 3,206 para o gasóleo (DMX a DMB), que se refletem diretamente nos custos do EU ETS.
  • Disponibilidade: um tipo mais barato só é mais barato se puder ser abastecido num porto da rota, na quantidade e com a qualidade necessárias.

Perguntas a responder antes de encomendar

  1. Que limites de enxofre se aplicam em cada perna, incluindo ECA, períodos atracado em portos da UE e regras nacionais?
  2. O scrubber, se existir, está aprovado e totalmente operacional, e há restrições de descarga na rota?
  3. Que tanques estarão vazios para receber o novo combustível?
  4. Que edição da ISO 8217 e que tipo serão especificados?
  5. O óleo de cilindro a bordo é adequado ao combustível que será queimado?
  6. É necessária uma reserva de combustível conforme para as mudanças de combustível ou para uma avaria do scrubber?

A Atlas Bunkering ajuda armadores e gestores a comparar ofertas para cada tipo junto de fornecedores de confiança, e recomenda inspeção independente e análises num laboratório acreditado em cada fornecimento, organizadas mediante pedido.

Perguntas e respostas

Posso misturar VLSFO de dois fornecedores diferentes?

É preferível evitá-lo. Os VLSFO resultam da mistura de diferentes componentes e podem ser incompatíveis. Se a mistura for inevitável, peça primeiro a um laboratório um teste de compatibilidade com amostras de ambos os combustíveis.

Um navio com scrubber precisa de levar combustível conforme?

Na prática, sim. Se o scrubber falhar e não puder ser reposto em funcionamento no prazo de uma hora, as orientações da IMO preveem que o navio mude para combustível conforme, e alguns portos restringem a descarga de água de lavagem.

O MGO é sempre obrigatório numa ECA?

Não. O requisito é um combustível com 0,10% de enxofre ou menos, ou um scrubber aprovado. O MGO é a escolha mais comum, mas também podem ser utilizados combustíveis residuais a 0,10%, quando disponíveis e adequados ao motor.

Fontes

  1. DNV: Global sulphur cap 2020, frequently asked questions
  2. IMO MEPC.1/Circ.778/Rev.4: Special Areas and Emission Control Areas under MARPOL
  3. ISO 8217:2024 Specifications of marine fuels
  4. Steamship Mutual: ISO 8217:2024, the new standard
  5. Commission Delegated Regulation (EU) 2016/2071 amending the MRV Regulation (FAOLEX copy)

Este guia contém informação geral e não constitui aconselhamento jurídico ou técnico. Verifique as regras em vigor e as recomendações do fabricante do motor para o seu navio.

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